Diego Max Giles

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Nessa entrevista tivemos o prazer de conhecer o trabalho e um pouco do artista a que é Diego Max Giles.  Ele é de Buenos Aires, vive entre a Argentina e Brasil, realizando shows e entrevistas. Vamos conferir?

RT: Quem é esse “Artista Latino-Americano”?

DMG: Um inveterado sonhador como artista e ser humano, que integra as culturas e aspectos sociais utilizando o caminho da alma, cujo maior representante é a Arte.

 

RT: Como é viver entre o Brasil e a Argentina, essas duas culturas tão diferentes? Você vive intensamente essas duas culturas?

DMG:Na verdade creio e, quase sempre constato, que são culturas muito parecidas nas suas manifestações sociais, folclóricas e artísticas.

É a própria cultura que engloba todas essas manifestações e as identifica como características de um povo. Ambos são passionais, extrovertidos, irregulares, criativos e também permissivos no que tange a imposições culturais e comerciais que praticam no mercado imperialista, e estes mesmos desvirtuam por meio de mídias obscuras que lhes devem, a estes, favores e patrocínios, e se difunde por interesses capitalistas além continente, que somos diferentes.

E por que isso? Ora, pensemos: com tanta beleza e riqueza cultural e natural, se estivéssemos de fato irmanados numa ideia de Mercosul cultural, que fosse este o primeiro sustento e alicerce para as outras questões (como politicas e comercias) não precisaríamos obter recursos de potências além continente e, muito menos, precisaríamos ter que absorver impositivamente sua cultura, pois somos autossuficientes! Apenas não nos organizamos nisso, tampouco praticamos! É como que nos convenceram que somos diferentes exatamente para não estreitar mais uma união que poderia ser próspera e autossustentável. Eu sou uma das provas definitivas disso: vivo bem nos dois países, trabalho, tenho filhos brasileiros, amo e sou amado nos dois lugares!

 

RT: Por essas andanças pelo Brasil e nos outros países da América, qual foi a sua maior aprendizagem?

DMG: Amar os povos e suas raízes, aprender de onde sou, de onde se origina minha arte. Sou apenas um interlocutor dessa manifestação da alma e do suor deste povo que nos antecederam e cuidaram da terra para nós. Propagando além do básico para o corpo, o essencial para a alma, a arte perpetuada em histórias musicais.

 

RT: Essa vontade de estar no Brasil, veio com o seu pai, o mestre Lucio Yanel?

DMG: Sim, nasce mesmo da vinda dele para Porto Alegre. No momento em que ele se radicou no estado do Rio Grande do Sul, por força de contratos positivos que mantiveram seu trabalho ali, viemos eu, mamãe e meus três irmãos. Nos estabelecemos por um período no novo país. Ainda adolescente, em razão de estudos, retornei sozinho para Buenos Aires. Ali começou a história da ovelha desgarrada que virou lobo do mar… E comecei a andar sozinho pelo mundo!

 

RT: E por falar no Lucio Yanel, como é a sua relação com ele, digo na carreira musical, como é essa troca de conhecimentos?

DMG: Quase que absolutamente por osmose (risos). Refiro-me a nunca ter sido instruído por ele, nunca me deu aula convencional, eu apenas o seguia quando podia, o escutava e, principalmente, observava a sua mão. E assim, sozinho, copiava o seu jeito de tocar. Desta forma acabei desenvolvendo minha própria habilidade, técnica e percepção como instrumentalista e me tornei mas refinado e culto, treinando meu ouvido musical para o bom gosto de composições e interpretações.

Depois de certo tempo, meu pai já tinha percebido isso e, em alguns trabalhos dele, apenas me chamava para tocar e me dizia: “Faz isso em tal tom, o ritmo é assim”. E eu ia, ora como baixista, ou percussionista, ou violonista e às vezes cantor. Repito, minha formação é intuitiva, na marra mesmo. Obviamente como um nobre, é especial espelho para espelhar: Meu pai!

 

RT: Quais são os trabalhos que você já desenvolveu no Brasil?

DMG: Desenvolvi vários trabalhos como músico e alguns como ator. Neste último segmento, fiz participações de dramaturgias na Tv Band e SBT. Participei de programas de tv em diversas emissoras em capitais e interior, concedendo entrevistas como ator e músico.

Também fiz algumas coisas em teatro e inclusive devo retomar com as minhas interpretações em monólogos musicais (atuo, canto e toco), em que represento catarses de personagens tais como Che Guevara, Don Juan, São Francisco, Jesus e Carlitos (Chaplin).

Já como músico, cantor e instrumentista, fiz meus shows cantados e instrumentais, e ainda faço alguns formatos mas cults, e outros mais populares, por todo o Brasil. Em outros países e outros continentes, como Europa, USA e América Latina.

No Brasil, tive a honra de estar nos mesmos palcos e eventos com os meus celebres colegas, como Sérgio Reis, Hermanto Pascoal, Alcione, Nelson Motta e Tereza Cristina. Os internacionais como Billy Paul, etc… Muita coisa mesmo!

 

RT: E o que surgiu primeiro na sua vida, a música ou a interpretação?

DMG: Desde criança me iniciei neste caminho das artes: vencendo pequenos concursos e testes para atuar nos palcos da escola, ainda no jardim da infância, seguindo assim por todo o primário e secundário.

Ainda menino, com meus cinco anos, venci o primeiro concurso de uma emissora da TV Argentina, em Buenos Aires. Tornei-me mascote durante a temporada de um programa de dois humoristas e ali representava e cantava ao vivo e, basicamente, no improviso.

Logo, pré-adolescente com nove anos, venci outro concurso importante e fiz parte de um grupo que, por questões jurídicas, não se cita mais formalmente (não por quem participou) , que era uma espécie de genérico do grupo Menudo, com eles viajei por alguns bons lugares e viajei muito mais na ideia de querer seguir essa carreira, para o resto da minha vida.

E assim fiz, logo que paramos com o grupo continuei com os meus estudos normais. Desenvolvendo naturalmente sem estudos acadêmicos artísticos, a aptidão para tocar instrumentos, principalmente o violão, mas também o baixo, percussão e outros.

Como cantar, além de compor letras e músicas desde menino, fazer artes plásticas como desenho e pintura, e me tornar ator. Essa mescla de atividades que sigo fazendo até hoje, com a mesma paixão e sonho de menino, que começou a sua primeira apresentação teatral, cantando e atuando no jardim da infância, com os olhos vidrados na mamãe, que seria para sempre a inspiração mais romântica e louca desta grande aventura que é viver de Arte!

 

RT: Em seu trabalho como escritor, quantos livros você já lançou? E qual é o seu estilo literário?

DMG:  Sou um escritor intuitivo (como em tudo): poético, atrevido, político, anti-político ( risos) social e anti-social ( risos). Mas extremamente romântico em tudo que poderia ser na vida e no que não poderia ser também. Sou de retalhos, escrevo frases, poemas, poesias, crônicas, etc. Escrevo muito para os outros, me usando como interlocutor (mais uma vez) ferramenta catalizadora de pensamentos e sentimentos pertinentes a todo ser humano. Na metáfora do desastre que é tentar explicar o sentimento múltiplo pela vida individual e coletiva, o chão, a terra e o que brota dela, em forma de filosofia e prática, e o efêmero concreto do universo. Enfim, como escritor, sou a eterna “Balada para um louco”, como o tema de Piazzolla.

Só lancei livros e cartilhas independentes e na internet, pois as negociações, com as editoras, nunca foram satisfatórias. Quem sabe algo mude durante este tempo e retome esta jornada!

 

RT: Em suas músicas você faz releituras dos clássicos brasileiros, mas quem é o grande ídolo brasileiro de Diego Max?

DMG: Existem muitíssimos e esta afirmação é totalmente sem demagogia!Compositores como Cartola, Chico Buarque, Zé Ramalho, Alceu Valenca, João Bosco, Ary Barroso, Tom Jobim, Vinicius, Caetano, Almir Satter e tantos outros cantores… Gal Costa, Elis Regina, Clara Nunes, Zizi Possi, Cassia Eller, Emilio Santiago, Altemar Dutra, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Sérgio Reis, Tim Maia, Ney Matogrosso, Milton Nascimento.

Instrumentistas como Pixinguinha, Yamandu Costa, Rafael Rabello, Robson Miguel, Hermato Pascoal, Sivuca, Egberto Gismonti…ufa!

Como pode notar, amo a música brasileira e seus representantes em diversos segmentos e estilos. Tudo muito eclético, mesclado, como na verdade sou eu na minha personalidade artística, seja como interprete ou compositor, pois a vida e pessoas que nos inspiram são isso mesmo, uma enorme e bela diversidade!

RT: Qual foi sua experiência mais marcante com a cultura brasileira?

DMG: Não foi… Está sendo sempre, a cada dia, a cada movimento, a cada descobrir de novos lugares com seus novos estilos (para quem chega, como eu), novas informações e folclore, onde residem os artistas locais que retratam sua região com paixão e dedicação. Com eles aprendo em cada espaço de suas ilusões e em cada gota de seu suor…isso é a cultura de cada povo, isso é a cultura do Brasil, aquela que reside dentro da alma e historia de sua gente e não a que reside apenas dentro do aparelho de TV.

Aliás, se este retrato que pintei agora chegasse a tela da TV certamente grande parte dos problemas seriam resolvidos, pois bem usando desse dispositivo tecnológico, se criaria uma identidade fortalecida do povo com seu povo, a interação e integração com a cultura real tornaria o ufanismo de copa do mundo em nacionalismo de consciência, e dificilmente um povo unido e identificado com o que mais belo tem da sua arte, seria usurpado de sua própria riqueza e direitos.

RT: Como você vê essa dificuldade dos brasileiros em aceitar os músicos latinos? Você já passou por alguma situação nesse sentido?

DMG: Não acredito nisso de maneira formal: isso e um paradigma criado por fortes interesses financeiros de capitalistas multinacionais. O verdadeiro Brasil desses brasileiros que você cita, não tem rusga com nada. Apenas se torna dificultoso em aceitar por que não conhece. E tão somente conhece o que a máquina da mídia patrocinada impõe como parâmetro de qualidade e de positivismo.

As pessoas singelas, mal tem discernimento de sua própria cultura além de sua região… Imagina então a região vizinha além do seu Estado e além-fronteiras.

Como conheceriam se na mídia se propagasse os pré determinados produtos que já estão no planejamento de sucesso altamente patrocinados? Quando viajo entre capitais e cidades ou povoados, recebo carinho e atenção, com desconhecimento sim, mas com boa vontade de conhecer e entender. Se você não pode se contrapor ao mercado estabelecido por poderes maiores, que ao menos os proprietários de locais de shows, mesmo os alternativos, se prestem a essa boa vontade de diversificar e experimentar.

Afinal, tudo tem um começo. Nem os famosos predestinados ao estrelato nasceram celebridades, um dia surgiram do nada. É questão de apostar e, principalmente, os músicos se unirem de forma organizada e reivindicar isso com coerência e a mesma paixão com que fazem música.

RT: Você sempre seguiu uma mesma linha, na produção dos seus seis Cds ou teve aquele momento em que você decidiu diferenciar?

DMG: Em cada um dos meus seis Cds solos e muitas participações, a única linha que sempre segui foi a de me permitir ser intuitivo, criativo e passional. Seja compondo, cantando ou solando meu instrumento. Cada um dos CDs ou participações foi resultado de um momento passional autêntico e legitimo, assim como cada musica, cada letra e cada segundo que dedico ao estúdio ou publico ao vivo.

RT: E o monologo “Carlitos en balada para un loco” o que você pretendeu causar em seu público e o que você teve como resposta dessa proposta?

DMG: Um espelho seria uma bela, sucinta e, por sua vez, uma ampla resposta (risos). Trata-se de uma catarse do personagem Carlitos, de Chaplin, em que vive um despertar dentro de um próprio sonho. Nele, como em todo sonho, consegue se permitir delirar, almejar e até conseguir coisas inviáveis no universo acordado. Ele encontra um palco e o teatro vazio, se atreve a invadí-lo e trata de fazer o que nunca fez: manifestar seus desejos, vontades e ambições em voz alta, falando e até cantando! E assim o faz, fala textos do próprio Chaplin e algumas coisas minhas e canta também temas de Chapiln, como Luzes da Ribalta e Smille. E por fim a apoteose de sua catarse é quando extravasa um mix de melancolia e euforia, ao se despir da roupa e ficar apenas em um calção de banho (da época, listrado) e canta e baila a música pertinente ao momento filosoficamente falando: Balada para um louco, de Piazzolla.

Logo ao fim, reconhece a verdade, o real no sonho, pois fez tudo que queria num vazio externo, onde não se via e nem ouvia ninguém, mas como ele viveu tudo isso, em sua plenitude, percebeu que tudo pode dentro de si e que o sonho não reside no dormir, ali reside o sono… o sonho reside sim no estar desperto dentro de si mesmo. E ai nutrindo o sonho na ousadia de viver de dentro para fora e assim encontrar esse espelho em cada pessoa que se encontra. E se você sorrir, se você for gentil, se você amar, quem acordar nesse reflexo, te dará o mesmo. Será você em outro e vice versa…

Mesmo que alguém te vire a cara ou seja áspero, se alguém não te entendeu bem, você soube interpretar o espelho da sua própria alma.

Quero apenas isso, oferecer um espelho a cada pessoa que assistir!

 

RT: Hablando com jeitinho” é uma mistura de tudo o que já viveu? Uma mistura de Brasil com a Argentina?

DMG:Hablando com jeitinho” é um filho pródigo (risos). Tem sua versão instrumental e tem a versão cantada . A ideia é exatamente mostrar a identidade semelhante entre os povos deste continente, especialmente Brasil e Argentina.

Fundamentado em pesquisa antropológica e folclórica, mostra-se que o samba tem na sua raiz tribal africana o surgimento de suas bases rítmicas concomitantes. Assim também após a colonização destes países, tem o surgimento de suas bases harmônicas e poéticas nas mesmas épocas. E assim os intercâmbios sociológicos nesta região, por meio da arte, já existiam e, lamentavelmente, em muitos aspectos esfriou. Tanto como trabalhador da arte, neste projeto, aportar com meu conhecimento em pesquisa é apaixonar como artista, de mostrar mais uma vez espelho do que já fomos, somos e podemos fortalecer mais ainda como vizinhos de ideias e sentimentos semelhantes.

Uma utopia romântica que não larga de mim, pois sou resultado destes dois países, destes dois amores, deste universo que, aliás, o próprio se torna exemplo, pois você sabia que poucos leem o Uni- Verso? Assim você entende Unidade e versatilidade.

Brasil e Argentina são terras de Arte!

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Site Oficial:

www.diegomax.com

Email: diegomaxoficial@gmail.com

Telefones: (51) 8295 -7448

(11) 94305-8174 (whats)

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